Marcha do 8M reúne mulheres em defesa da Chapada do Araripe e dos direitos femininos no Cariri

  • Postado em 11 de março de 2026

A edição 2026 da Marcha do 8M Cariri foi realizado na segunda-feira, dia dia 09 de março, com o tema “Mulheres em luta pela Chapada do Araripe: corpos livres, territórios vivos”. A mobilização reuniu grupos e organizações apoiadoras em defesa dos direitos, vidas e territórios.  Organizada pelo Movimento 8M Cariri, a Frente de Mulheres do Cariri e pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Cratense em alusão ao Dia Internacional da Mulher, o ato público destacou a relação entre a luta feminista e a defesa ambiental, reforçando a importância da preservação da Chapada do Araripe.

De acordo com a organização do evento, o tema da marcha buscou evidenciar que a defesa e preservação do território está ligada à garantia de direitos às mulheres que vivem no Cariri.  Segundo Lívia Nascimento, integrante do movimento 8M e do Grupo de Valorização Negra do Cariri (GRUNEC), a escolha do tema é resultado de debates realizados nos encontros. “A gente se reúne antes para fazer uma análise de conjuntura do que está sendo discutido a nível nacional e dialogar a partir da nossa realidade, a nível Cariri”, conta.

Em atividade há mais de uma década, o movimento 8M reúne diversos órgãos públicos e movimentos feministas integrantes da Frente de Mulheres do Cariri, na luta pelo direito e qualidade de vida feminina e no debate de temas diversos, como patriarcado, gênero, territorialidade, sustentabilidade, entre outros.

Durante o evento, representantes do movimento leram um nota pública em frente a prefeitura municipal de Crato, reivindicando o fortalecimento das políticas públicas do enfrentamento ao feminicídio, ampliação da participação feminina nas decisões sobre os territórios e políticas ambientais, fim da escala 6×1 e publicação do Plano de Manejo da APA da Chapada do Araripe. Após o fim da manifestação em frente ao órgão público, o movimento marchou nas ruas do município com trajeto final à praça da Sé, ao local onde Silvany Inácio de Souza foi vítima de feminicídio no ano de 2018.

Durante o percurso, os participantes carregaram cartazes, faixas e articularam falas sobre a data, reforçando o debate político ligado à defesa dos direitos das mulheres e dos territórios. Em meio às falas, representantes destacaram a urgência da pauta de proteção às mulheres no país. As organizadoras do ato destacaram que metade da população brasileira tem medo de morrer por ser mulher.

Para Zuleide Queiroz, deputada estadual e integrante da Frente de Mulheres do Cariri, “A Frente de Mulheres do Cariri congrega mulheres independentes, mulheres de partido, mulheres de movimento, mulheres do conselho. E um dos nossos principais trabalhos tem sido acompanhar a implantação das políticas públicas, lutar pelas políticas públicas”, explica. A mobilização também reforçou a ideia de solidariedade e luta coletiva, como reforçou Lívia Nascimento “Enquanto qualquer uma das mulheres tiver alguma corrente, nenhuma outra será livre”.

Texto: Amanda Arrais e Narliel Oliveira