Alunas do curso de jornalismo da UFCA são selecionadas no projeto de cinema “Festival dos Corres”
- Postado em 12 de maio de 2026
Samia Costa e Yasmin Ariadne, estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), foram selecionadas para exibirem seus curtas-metragens no Festival dos Corres, evento com foco na valorização do audiovisual independente, diverso e periférico.
As produções escolhidas foram “Uma mulher com uma câmera”, de Samia Costa, e “Cococi ou (‘Eu Já Fui Cidade’)” de Yasmin Ariadne. Os filmes reúnem a programação do Festival dos Corres, que buscam dar visibilidade a narrativas diversas e produções autorais da região Nordeste.
O Festival dos Corres acontece entre os dias 11 a 15 de maio, na Casa dos Corres, em Sobral (CE), com exibições de curtas-metragens, projetos culturais e formação prática, a partir das 18h às 22h. A iniciativa reúne profissionais da arte e cultura, acima de 16 anos, prioritariamente negros, periféricos, LGBTQIAPN+, mulheres cis e trans, pessoas não binárias e pessoas com deficiência, o intuito é promover debate, troca, conhecimento, profissionalização, formação e expansão cultural.
Samia Costa conta que o filme “Uma mulher com uma câmera” surgiu de um incômodo construído ao longo da vida: a ausência de referências femininas, reconhecimento e pertencimento de mulheres nos espaços da fotografia e do cinema. Segundo a estudante, foi justamente dessa falta que nasceu a busca por referências e pertencimento.
“A partir dessa escassez, a partir desse incômodo, eu fui atrás dessa referência que eu não tive durante a vida toda. E essa referência é encontrada na fotografia e na cineasta Nívea Uchôa. O documentário nasce desse encontro, nasce do diálogo e do encontro entre diferentes gerações, entre a passagem de conhecimento através de gerações, principalmente a passagem de conhecimento entre mulheres, trazer as histórias dessas mulheres que tiveram as suas contribuições apagadas durante tantos anos”, afirmou.
A aluna Yasmin Ariadne também foi selecionada para exibir seu curta-metragem no Festival dos Corres, “Cococi (ou ‘Eu já fui cidade’)”, um documentário sobre uma cidade extinta no Ceará que propõe uma reflexão sobre memória, corpo, território, identidade e permanência.
De acordo com Yasmin Ariadne, o filme busca compreender o que significa escutar histórias que o tempo tentou apagar. “A ideia era que o filme inteiro funcionasse como uma conversa em que eu escuto a história de Cococi enquanto entendo um pouco mais sobre mim mesma, e Cococi reage a essa história enquanto se reposiciona no mundo — ou nós nos posicionamos perante ela. Como se ela dissesse: ‘sim, eu fui uma cidade, mas isso foi só um emprego temporário…’ Ela existiu antes disso e vai continuar existindo depois. Ser cidade foi um momento, não uma definição. Assim como nós, somos feitos de momentos, e resistir à superficialidade do determinismo é, em si, um ato revolucionário”, declarou.
Produzir cinema no Cariri ainda é um processo marcado por desafios, resistência e persistência. A estudante Samia Costa destaca que, apesar das dificuldades enfrentadas na região, o audiovisual caririense tem crescido e conquistado cada vez mais espaço, especialmente com o fortalecimento de políticas de incentivo e o aumento de produções independentes.
“O cinema no Cariri exige muita resistência. O cinema que a gente produz aqui é muito potente, mas o fato de até então não ter tido o curso de cinema na região, e também os editais que financiam filmes agora estarem se tornando mais frequentes, menos raros do que eram antigamente, faz com que as pessoas estejam tendo acesso a produções com maior orçamento e maiores equipes. Então, acho que exige muita resistência e muita coragem dos cineastas daqui para produzirem, muitas vezes sem apoio, mas aos poucos a gente está conseguindo expandir cada vez mais e mais. Tem muita gente vivendo profissionalmente aqui na região. A gente tem muito potencial, principalmente porque nós temos histórias únicas aqui no Cariri, uma região muito rica em diversos fatores. Então, tem potencial para crescer mais e mais.”, afirmou.
A fala da estudante também dialoga com o atual momento do audiovisual na região do Cariri, a implantação do curso de Cinema e Audiovisual da UFCA previsto para 2027, um passo importante para fortalecer a formação, a profissionalização e a circulação das produções desenvolvidas no Cariri.
A presença das estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA) no Festival dos Corres reforça o cenário do audiovisual independente, apresentando histórias que dialogam com memória, identidade, pertencimento e a valorização de narrativas invisibilizadas. Os filmes também mostram a força da produção cultural desenvolvida no interior do Ceará, ampliando espaços de circulação, reconhecimento e debate.
Para Yasmin Ariadne, a participação no Festival dos Corres representa não apenas a exibição de sua obra, mas também a possibilidade de construir diálogos com outros cineastas e fortalecer o cinema produzido no Cariri.
“O filme chegou onde precisava chegar, que a conversa que eu queria ter com o mundo ele está tendo. Participar de um debate com outros realizadores nordestinos, em formato de troca real, é exatamente o tipo de circulação que faz sentido pra mim, não só exibir, mas dialogar. Pra uma cineasta do interior do Ceará, ainda na graduação, ter uma obra selecionada e receber um cachê por isso é também um reconhecimento de que o que a gente produz aqui tem valor, tanto artístico quanto profissional. E, pra usar uma frase que ficou marcada nas discussões sobre a implantação do curso de cinema na UFCA: Cariri é cinema”, afirmou.